Dê o play: jornalismo em áudio
Atualizado: 7 de ago.
Plataformas de streaming foram além da música e hoje abrigam espaço para o jornalismo

As plataformas de streaming de áudio deixaram de ser um simples espaço para ouvir música, mas se tornaram um ambiente que reúne podcasts, audiolivros, documentários em áudio, entre outros formatos.
Uma das maiores mudanças que essas empresas conseguiram trazer foi a maneira de consumir o produto de áudio. Hoje, pode-se ouvir qualquer formato de áudio no carro, na academia, fazendo um exercício na praça, o ouvinte escolhe a forma e o momento de dar o play.
O áudio e o jornalismo
Óbvio, o jornalismo já existe em áudio desde o surgimento do rádio, mas a maneira de produção e de ouvir o conteúdo produzido mudaram. Não só isso, mas o streaming possibilitou que o jornalismo produza programas específicos para essas plataformas.
O portal de notícias UOL, toda sexta-feira, já virou meu hábito acompanhar, disponibiliza o podcast “A Hora” com Thais Bilenky e José Roberto de Toledo. Também produções do UOL, tem os documentários sobre o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira ou o mais recente sobre a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.
A Folha de S.Paulo produziu um podcast, “Autoritários”, sobre governos extremistas. O G1 tem “O Assunto” apresentado pela jornalista Natuza Nery.
Citei alguns exemplos de como o áudio possibilita que o jornalismo trabalhe com diferentes frentes. Em um mundo tão conectado ao digital, as pessoas não precisam mais assistir a um telejornal em um horário especifico ou ler uma notícia ou grande reportagem em um jornal ou portal de notícias.
Alternativa ao paywall?
Sim, eu sei, é irritante. Tu teve interesse em um assunto e decidiu ler a matéria, mas precisa ser assinante do jornal. Discussão que temos dentro do próprio jornalismo, pois a profissão precisa se pagar, mas ao mesmo tempo acaba limitando os usuários à informação.
Não estou dizendo que o paywall vai acabar ou que o podcast é a solução para tudo, mas acho que é uma boa alternativa. A pessoa interessada pode buscar um podcast que traga o conteúdo jornalístico de qualidade sem precisar pesar no bolso por meio de uma assinatura.
Mas não só isso. O próprio jornalismo pode utilizar a ferramenta como um aliado, pode-se fazer um conteúdo extra mais longo como o Fantástico faz, fazem uma matéria para a TV e uma entrevista mais longa no podcast do programa.
Ou ainda, é muito possível fazer um conteúdo extra que chame as pessoas para os demais conteúdos pelos veículos jornalísticos. O próprio UOL faz isso, por meio do podcast “UOL Prime” apresentado pelo José Roberto de Toledo, onde ele conversa com jornalistas sobre matérias escritas para o portal.
Experiência Pessoal
Esse texto não é para ser uma propaganda ou promoção dos veículos e podcasts aqui citados. Mas acaba por ser uma reflexão de uma mudança de consumo de mídia que eu mesmo tive.
Hoje, consumo notícias muito mais por meio de podcasts do que qualquer outra mídia. Sim, ainda assisto TV aberta, canais de notícia 24 horas, escuto rádio, mas é inegável que o podcast virou meu espaço principal.
Em um momento em que o jornalismo precisa competir com influenciadores e algoritmos de redes sociais, acredito que seja necessário não pensar o podcast só como uma mídia a mais para produzir conteúdo, mas trabalhar todas elas de forma integrada.



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