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Cinema e o universo compartilhado

Foto do escritor: Vitor Westhauser
Vitor Westhauser
23 de jul.
3 min de leitura

Atualizado: 7 de ago.

Filmes que antes eram histórias fechadas passaram a fazer parte de uma saga muito maior


Derks24! - Pixabay
Derks24! - Pixabay

O cinema era uma experiência mais direta, a pessoa se deslocava até o cinema, assistia ao filme e voltava para casa. Hoje, essa preparação para o filme já começa em casa assistindo uma série ou precisa olhar todos os filmes anteriores para entender o mais recente lançamento.


O problema não é existir essa expansão das histórias contadas em filmes, podem até ajudar a enriquecer ainda mais a história que está sendo contada na tela do cinema, mas é realmente necessário quase que forçar o telespectador a assistir tudo o que já foi lançado?


Universo Marvel


Não foi a Marvel a responsável por criar a ideia de um universo cinematográfico compartilhado entre filmes e séries. Pode-se citar Star Wars, Transformers, Invocação do Mal, entre outras franquias que possuem histórias em diferentes mídias, mas com certeza foi a gigante dos quadrinhos que ajudou a popularizar e deu uma nova perspectiva no tema.


O primeiro filme, próprio da Marvel, foi Homem de Ferro, lançado em 2008. Desde então, a empresa já lançou cinco fases que possuem filmes e séries. Têm histórias fechadas, sequência direta de um filme para o outro, séries com personagens que fizeram sucesso em participações nos filmes e personagens que não tinham espaço para uma grande produção de cinema, mas ganham uma série no streaming.


Além disso, essa ampliação de produções para diferentes plataformas possibilita que a empresa busque públicos diferentes. A pessoa que gosta de série pode não querer ir ao cinema, mas como também o super fã de filme, ele pode não querer  “gastar” seu tempo em uma série.


Aqui fica a pergunta: precisa mesmo “obrigar” a pessoa a assistir absolutamente tudo para entender onde aquele personagem estava anteriormente?

 

 

Fórmula que funcionou


É evidente que uma fórmula de tanto sucesso seria copiada pelas demais empresas. DC tentou uma vez, falhou e busca recomeçar seu universo cinematográfico por meio do diretor James Gunn. Mas aqui é até compreensível, por ser uma empresa de quadrinhos, como a Marvel, e possui milhares de histórias para adaptar.


O problema é que parte da indústria escolheu seguir o mesmo caminho. John Wick começou com uma sequência de filmes, ganhou uma série (O Continental), um filme spin-off (Bailarina) e tem em produção mais um filme spin-off (Caine).


Velozes e Furiosos, que já deveria ter acabado, têm filmes numerados, filmes spin-off e Vin Diesel anunciou que a franquia vai ter série de TV no streaming. Além desses, o filme The Batman (2022), estrelado por Robert Pattinson, resultou em uma série de TV do Pinguim.


Necessário?


A questão não é se as produções aqui citadas são boas ou ruins, mas se são realmente necessárias? Do ponto de vista comercial, elas podem até fazer muito sentido, porém, se observamos pelo prazer de assistir, do hype de uma produção nova estar sendo lançada e a qualidade dela, a discussão pode ser muito mais ampla e complexa.


É legítimo que as empresas busquem expandir as histórias buscando ter uma receita maior, um novo público ou até mesmo por entender que ainda têm coisas novas para serem contadas. Mas a maneira de fazer poderia ser diferente. As histórias poderiam ser mais fechadas, pois assim garantiriam certa “liberdade” de escolha por parte do telespectador.

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